sábado, 27 de novembro de 2010

O MANGUE - ( no caminho sem chorar )

o dia ainda tremia suas impaciências
quando uma brisa quase adormecida
trouxe no discreto cheiro de mar o prenúncio
de uma nova tempestade.

o ambiente era desolador...
e fluia o ceú do mangue , de onde nuvens negras
em algazarra assistiam de camarote o levante das marés.

21 de novembro de 2010
vai ficar para sempre na memória daqueles moradores.

quem viu o sacolejo da miséria ?
ali os raios trincaram o ceú de novembro
e a chuva, precisa no arremate,envergou o dia.

vi uma mulher sentada na garupa da agonia.
com seus olhos vermelhos e sua lingua inflada
de xingar o mundo.
tinha parte do corpo coberto de lama
e um pedaço de vida ainda por viver.
maria dolores barbosa...faxineira de rosto duro,
magricela até na fala.

dificil não era auxiliar aquela mulher
naquela tarde sem nome.
dificil mesmo era fita-la e ver por inteiro
a face daquele cansaço.

ja era quase noite quando adentrei de vez
no coração daquele mangue.

aquele cenário sinistro,
aqueles barracos tombados,
aquela miséria estampada.

tudo...tudo me estilhaçava !


(moisés poeta)



41 comentários:

Milene disse...

Então, há maneira de se expressar, mesmo acerca de um assunto assim tão doloroso, do que através da poesia?

Imagino que não! Definitivamente não!

Meu lamento é pelo fato de que outras tantas Maria Dolores haverão de penar com o corpo coberto de lama e alma a gritar as dores do mundo.

Lindo e cortante poema, Moisés.
Beijos.

Milene disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Betha Mendes disse...

Olá, Poeta,

a poesia é o afago para a dor... e que dor1

bj

Betha

Luís Coelho disse...

Gostei muito deste poema e da forma cortante como o escreveu.

"Magricela até na fala"

Sônia Brandão disse...

Tirando poesia da dor.
"vi uma mulher sentada na garupa da agonia." - forte essa imagem.

Um abraço.

Patrícia Gonçalves disse...

Moisés, lindo texto, poema seco, mesmo com toda a água. Parabéns!

bjs

Cris Caetano disse...

A miséria estilhaça-nos mesmo por dentro, dura realidade que precisa ser modificada.

Gostei demais!

Beijos e muito obrigada pela visita.

Lara Amaral disse...

Uma narrativa poética que nos prende. Muito bonito, poeta!

Beijo.

JOCARLOSBARROSO disse...

A dor aguça sentimentos porque nos atinge o coração e aí nasce a poesia remedio de misericordia Divina ao poeta.
Lindo texto.

Sil.. disse...

Moisés, meu QUERIDOOOOO!

E só de ler isso, meu coração se trinca de dor.
Dá vontade de cantar Luis Gonzaga:

"Eu perguntei, ahhh Deus do céu, ai,porque tamanha judiação.."

Moisés, meu poeta preferido.
Te tenho um bem querer do tamanho do mundo!!


Um beijo!

Si Fernandes disse...

"magricela até na fala". Que frase mais completa !

" aos 27 anos Zilda diz que é dona de si mesma, não pensa muita coisa e não espera nada de ninguém, catando a vida pelas patas e dando tapas no destino,arregaçar as mangas no mangue paciência em cada gota de sangue" Lembrei de imediato dessa música do SKANK - Baixada News .

Sempre intenso, poeta bom.

Lídia Borges disse...

Muito bom.
Rebuscar o pequeno naquilo que, de tão grande, não vale a pena falar ou buscar cada pedaço do ser disperso nos destroços...

Um beijo

Graça disse...

Moisés,

esse sacolejo da miséria no mangue é tão bem descrito que pude presenciá-lo e talvez até vivenciá-lo, junto com você!!
Parabéns por cantá-lo em versos.
Um grande abraço, meu querido!
*Talvez vá se lembrar de mim, sou amiga da Milene.

Lua Nova disse...

Lancinante! Emocionante! Sem hipocrisia nem condescendência! É a dor nua e crua, o desespero e o cansaço de uma vida inteira à flor da pele.
Brilhante... Lindo, apesar de retratar tão triste e feia realidade.
Quero lhe dizer de coração:
BRAVO!!!!!

Márcia Oliveira disse...

Oi Amigo Moisés o teu poema me lembrou o livro Vazante , o qual eu li na 5ª série.Sempre me emociona ler cada poema seu.Obrigada também pelas palavras de conforto pela minha recuperação!!Bj de paz e luz no coração!!

Espaço Aberto disse...

Mais uma vez temos o prazer de convidar os nossos amigos para participar de nosso Concurso Literário. Nosso maior objetivo é a interação e levá-los a se inspirar e a expressar através das palavras o que o momento despertar em seu coração. Então em nome do Amor e da Caridade, estamos lançando o nosso: 2º Concurso Literário – Tema: Então é Natal...
Contamos com a sua presença!
Um abraço carinhoso

Céci disse...

Perante este poema, tão sentido e tão real, era dificil não entrar nesse caminho sem chorar!

Bjinhos

Céci

Cristine Lima disse...

Olá Moisés, muito sensível, realista e profundo esta sua visão deste caos... tocante e que nos faz pensar em tudo isso...
gostei muito... muito obrigada pela postagem em meu blog. Você é sempre bem vindo lá no meu cantinho...
abraço,

Sandra Botelho disse...

Enquanto nosso coração ainda sofrer pela dor alheia, ainda será possivel o amor asobreviver.
Lindo demais, apesar de triste.
Bjos achocolatados

Cris de Souza disse...

um jeito bonito de tecer da tristeza...

beijo, poeta!

José Sousa disse...

Olá amiga!
Gostei da sua postagem...mais uma fonte de cultura que descobri! penso que é a primeira vez que cá venho, vou seguir o seu blogue, gostei. Siga os meus também!

www.congulolundo.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com
www.minhaalmaempoemas.blogspot.com
www.angolaeseusfilhos.blogspot.com
www.inforvideo.blogspot.com

Um grande abração e até sempre

Léo Santos disse...

É... Gostei de ler! Poesia com caráter social... Feita pra tocar fundo e fazer acordar quem dorme, quem repousa à sombra vil da hipocrisia! Muito bom!

Um abraço!

Janaina Cruz disse...

Tudo o que vemos começa a fazer parte de nós, sejam misérias, ou alegrias, compartilharemos com nossas almas esses fragmentos de vida.
E tu descrevestes de forma linda a dor que faz com que muitos se façam de fortes...
Sigo-te!

Wolber Campos disse...

Olá Moisés! Tudo bem?

Que belo texto! Conseguiu transmitir muito bem a emoção e a miséria do momento, de a forma poética. Como tem de ser, por chocar por chocar cheira sensacionalismo. Agora passar a mensagem forte com poesia sim, é arte.

Grande abraço!

Ludmila disse...

Halu pessoa!

Coomo não chorar? Me vejoo por vezes assim quando leio esse tipo de poema, é algo que não consigo evitar e mesmo se conseguisse não estaria plenamente feliz.

Magnifico teu escrito.

Obrigada por sempre visitar meu blog, acho que voce não tem noção do quanto voce e os outros me proporcionam quando me ajudam via blog.

beeeijOdalua!

Sandra Botelho disse...

Bjos no coração e tenha uma linda semana.

Lauraine Santos disse...

A face da desilusão inesquecível, tanto qnto indescritível e inexplicável!!

No entanto, com o intuito de tentar, cá estamos nós, poetas da atualidade.

Bjo Grande

LC disse...

MEUS SAIS! Li tudo num fôlego só e as imagens criadas através dos teus versos eram em 3D e eu (creio), todos os leitores , puderam viver as cenas.

Teus versos são intensos,verdadeiros e "ousam" tocar a alma humana, sacudindo entranhas.

Excelente menino Moisés Poeta, parabéns!

beijo da Lu

Georgeta disse...

Sem comentários. Alguém postou um dizendo....-Meus sais!!!
Delícia.

CYWMARA WADISQUY disse...

...parece...que eu estava lá...

VIAJEI NAS SUAS PALAVRAS...


XERooo

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Bom, gritante, dizendo mais e mais do que se lê. Coisa de poeta. E como disse o leo, que bom ver poesia social.

Dai disse...

Gostei muito. É uma poesia que denuncia mais mantém o lirismo!

=*

New Sensations disse...

Merry Christmas!

LC disse...

Querido Moisés, estou passando pra desejar boas festas e um 2011 repleto de saúde e paz pra ti e família.

Com carinho

Lu Cavichioli e Família

Luiz Neves de Castro disse...

Natal, Novo Ano
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Desejo a você feliz 2011, um ano de muito sucesso, 12 meses de muita saúde, 62 semanas de muitas alegrias e coragem, 365 dias de muita sorte, 8760 horas repletas de amor e paz.

danbrandao disse...

muito marcante, parabéns

Daniel Brandão

http://danbrandao.blogspot.com

Ana Gaúcha _Professora disse...

oi POETA!!!

SACOLEJO da Miséria é Nova
p/ mim!!

BELO POST
Nos leva a pensar......
.....
___
E por vezes as noites duram meses
David Mourão-Ferreira

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

FELIZZZZZZZZZZZZ__2011
bjs*Bjs

betina moraes disse...

a expressão "tudo me estilhaçava" comprometeu de vez meu coração com a tua poesia.


um verso para quem quer ir ver o avesso. muito bom.

Arroba disse...

Uma boa surpresa o seu blogue. Venho para ficar .
Parabéns!

Universo Paralelo em Versos disse...

Moisés poeta escreves de uma forma cinematográfica, as imagens surgem ao meio dos versos com vestes da mais pura poesia. Marcante de profundo realismo com um corte na alma. Abençoado és pelo dom da arte.

Uouo Uo disse...


thank you

سعودي اوتو