quarta-feira, 10 de março de 2010

O JARDINEIRO INCONSOLÁVEL









Tudo o que morri ontem não foi o suficiente.
morrerei mais vezes...

Afinal , um bêbado nunca carrega bússola,
e a noite sempre é fecunda
no seu olhar infravermelho.

Nessa noite de mil léguas percorridas
comovo-me em saber que tudo se dissolve
em minha volta.

É um tempo de quadros difusos,
de caminhos despedaçados...

Todas as citações falam de guerra
e a insônia so é desfeita com o beijo
na bandeira do vizinho sem virtudes.
rodando a roleta na praça dos mercados.

É um tempo dificil, confuso...!
em que o homem cava a honra de ter
sido criado à imagem de deus.

Do deus sem face...
oculto em toda sua singularidade...

É um tempo de luta,
de homens de pés descalços.
onde a miséria faz comicio nas vielas.

A exagerada lucidez sempre me cega
e me tapa os ouvidos.
nessa noite de embriaguez perambulante
eu quase ouço o barulho das águas...

O jardineiro-poeta-suicida
concluiu seu ultimo verso
antes de beijar as águas
no fundo do oceano :

-Hoje em dia...as flores crescem com cautela...




(Moisés Poeta)


20 comentários:

Sandra Botelho disse...

Vivemos encarceirados em nossas proprias duvidas.
Bjos poeta

Danilo de Abreu Lima disse...

A BIOGRAFIA DO FOGO
POEMAS , CRONICAS E COMENTARIOS ACERCA DE LITERATURA.
quarta-feira, 10 de março de 2010
O JARDINEIRO INCONSOLÁVEL



moisés,
esse seu poema é de um lirismo amargo, porém único! Lindo, doído omo a agonia lenta de um verso que se desfaz, pouco a pouco, na água e no sal. Esse verso, dsestaco: é uma pancada:

"tudo o que morri ontem não foi o suficiente.
morrerei mais vezes"

continue a criar poemas assim- apoesia sempre vale a pena!
danilo.

Mari disse...

Moisés,
Quanta intensidade! Muito bom!
Estarei por aqui para ler mais!
Abraços
Mari

Antoine. disse...

sua maneira de colocar as palavras nos leva para dentro do texto, simplesmente incrível!

abraços

Pétala_Rosadinha disse...

Quem dera poder consolar o jardineiro dizendo que nem tudo é assim tão escuro e carregado... Fazê-lo perceber a sua volta algum encanto.
Belíssimo poema, pra variar.

Beijo.

Hana disse...

É isso, seu blog é um sonho de palavras onde viajamos, eu adorei aqui e ja estou seguindo. Obrigada por um lugar assim é um catinha da sabedroria.
com carinho
Hana

Hana disse...

querido Moisés, eu estou seguindo adorei seu afeto em meu blg muito obrigada pela confiança e carinho depositado lá. Cada post qu eleio seu me lembra o coração do Raul Seixas, por isso te admiro.
com ccarinho
Hana

Edgard ♠♦O Pierrot♥♣ Antonello disse...

Muito intenso, realmente ímpar.
Obrigado pelo elogio ao meu blog, espero que aprecie tudo que tenho a oferecer.

Saudações do Pierrot.

sandra Freitas disse...

O morrer diário é uma necessidade, a morte não é de todo negativa, ela extermina tudo, inclusive as cinzas. Sem morte não há ressurreição. Uma nova e intensa vida se faz nas flores que nascem sobre o lodo da morte.
Lindas palavras nobre poeta, amei teu blog, venha me visitar quando quiseres....
bjokas

Sylvia Araujo disse...

O jardineiro dói a dor das flores. O poeta chora as lágrimas da alma. O suicida beija, até que tudo desfa(le)ça.

Doído poema. Eu gosto de doer.

Beijo pra você.

Dica Cardoso disse...

Verdade nua e crua!
Por mais louca que seja... Mais doido ainda é tudo o que nos faz sentir assim...Ou o próprio nada que não nos deixa sentir diferente!
Voltarei pra reler e ler mais.
Seguirei pra não perder de vista!
Abraços no coração!

Ronaldo disse...

texto muto bom, assim como tudo que tem no blog né?

continue assim

Juliana Lira disse...

Adorei!

Adorei aqui, adorei suas palavras...Amei sua poesia.As vezes temos que morrer tantas vezes numa mesma noite, apenas pra está vivo no outro dia...

Milhões de beijos

REGGINA MOON disse...

Moises,

Vi em visita ao seu Blog e encontrei lindos poemas e um espaço que encanta!

Parabéns Poeta!

Beijos e ótima semana!

Reggina Moon

Edgard ♠♦O Pierrot♥♣ Antonello disse...

Caro Moisés, como gostou tanto do último texto, resolvi avisar sobre a postagem de um capítulo final...

Saudações do Pierrot.

Dai disse...

Me lembrei de tanta coisa durante a leitura, primeiro Neruda (com o jardineiro), depois Baudelaire (com embriaga-se de poesia ou de vinho) e depois de Drummond (com sua flor medrosa), uma delícia aqui...

beijo

boscolysilver.com disse...

Moisés Poéta,visto ter visitado meu blog,agradeço-lhe pelo comentário lá registrado.O carinho que voce deixou nas fráses escritas.
Um forte abraço.
Atenciosamente.
boscolysilver.
22.04.2010
as 00h45min.

boscolysilver.com disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Patrícia Gonçalves disse...

Puta que pariu! Nunca disse um palavrão em nenhum blog, mas inaugurei aqui! Desculpe-me! O jardineiro inconsolável é lindo, lindo, lindo.

Obrigada pela visita! Seja sempre bem vindo!

beijão

Jéssyca Carvalho disse...

Amei, amei e amei teu blog!
Voltarei sempre, sempre...

E que postagem mais linda é essa?
Surpreendente, reflexiva, 'incomodativa'...
Um abrir de olhos pra quem lê...
Realmente demais! Parabéns!

Beijos!