terça-feira, 5 de julho de 2011

BALDEAÇÕES

(para o poeta Eduardo Canhoto ,
que numa explosão de asas , partiu para uma terra estrangeira
em busca de multiplicidade.
o poeta desloca-se , avança...e amplifica sua visão privilégiada
quando percebe que seu cálculo poético cedeu lugar apenas
para as suas danações . o poeta sabe que todo tempo é histórico
e concentra-se , coeso , no percurso.
pois tem consciência que a poesia ,não é para ser inventada,
e sim para ser encontrada.)

O poema doi , e declina cabisbaixo.
pouco serve leva-lo sobre os ombros
no sabido manuseio.

O poema , em breve rota, transita mas não vinga.
ja não se atreve a andar á luz do dia
e é réu por surgimento , desde o ventre até a forma.

Outrora o poeta pelo fogo se encantava.
sangrava em seus manuscritos, e limava a flor erguida
em nome da amada.

Mas na vertigem tem os pés voltados para dentro.
que sentencia-lhe a linguagem dos iguais,
em vias limitadas.

Pesa-lhe as pálpebras adormecidas ,
na vigilia por essências inutilmente sobejadas.

Contudo , ele precisa lançar-se em terra estrangeira.
de geometria serena , de horas litúrgicas...

Ele precisa aprisionar o tigre e seu pássaro de fogo !

Não use mais o vermelho , poeta !
ensalive a palavra mais bonita e ministre seus nervos
estendidos e dilatados.

Antes que perca de vez o cerne da sua angústia,
sobre a qual florescem seus olhos de espanto.


(Moisés Poeta)